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Inspirações do Claustro

Junqueira Freire (?–1855)

Poesia58 min de leitura51 páginas

O começo — Prologo do auctor

A natureza desta publicação exige de si algumas pala­vras de explicação. Este prólogo é filho da necessidade tão-somente. Longe de mim a vaidade dos discursos ociosos.

As poesias presentes agradarão a bem poucos: agradarão apenas a algumas almas fortes, que não puderam ainda ser eivadas nem do cancro do ceticismo, nem da mania do misticismo: agradarão apenas a alguns homens completamente livres, que não sujeitaram-se ainda, senão às luzes da ra­zão. Ora, estes homens são bem raros na sociedade atual, porque a hipérbole dos sistemas e das crenças traz em si não sei que talismã, que arrasta todos os espíritos, por bem formados que sejam. O ecletismo nas opiniões, que não são essencialmente filosóficas, repugna ainda aos ânimos, e é crismado de absurdo.

Eu tenho, por tanto, a maioria dos homens por meus inimigos.

Pela mão invisível da Providencia fui arrojado há três anos para o coração do claustro. Por essa inclassificável ação, de que hoje me espanto, tive as bênçãos de uns e os escárnios de outros. Eram ainda os homens místicos e os céticos que louvavam-me ou vituperavam-me. Pela mão invisível da Providencia fui arrojado outra vez para o tor­velinho da sociedade. Por isso tive a maldição de quase todos. Eram ainda os místicos, que não pejavam-se de cantar a palinódia dos louvores, que me haviam magnificamente dis­pensado, — eram os céticos, que compunham deste acontecimento um marciálico epigrama.

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