E Tudo Vem a Ser Nada
Silvino Pirauá de Lima (?–1913)
O começo
Tanta riqueza inserida / Por tanta gente orgulhosa / Se julgando poderosa / No curto espaço da vida / Oh! que ideia perdida / Oh! que mente tão errada / Dessa gente que enlevada / Nessa fingida grandeza / Junta montões de riqueza / E tudo vem a ser nada
Vemos um rico pomposo / Afetando gravidade / Ali só reina bondade / Nesse mortal orgulhoso / Quer se fazer caprichoso / Vive de venta inchada / Sua cara empantufada / Só apresenta denodos / Tem esses inchaços todos / E tudo vem a ser nada
Trabalha o homem, peleja / Mesmo a ponto de morrer / É somente para ter / Que ele se esmoreja / Às vezes chove troveja / E ele nessa enredada / Alguns se põem na estrada / À lama, ao sol ao chuveiro / Ajuntam muito dinheiro / E tudo vem a ser nada
Temos palácios pomposos / Dos grandes imperadores / Ministros e senadores / E mais vultos majestosos / Temos papas virtuosos / De uma vida regrada / Temos também a espada / De soberbos generais / Comandantes, marechais / E tudo vem a ser nada
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