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Bases da Ortografia Portuguesa

A. R. Gonçalves Viana (1840–?)

Direito21 min de leitura18 páginas

O começo — I—DA ACENTUAÇÃO

1.º A acentuação marcada é tônica e não prosódica; não determina modulação da letra vogal, determina a sílaba elevada na enunciação do vocábulo.

Esta sílaba é uma só e a mesma sílaba para cada vocábulo na língua portuguesa em todo o país, com excepções esporádicas mais ou menos justificadas. Exemplos: hotel, hotel; bénção, benção .

Escólio. —A acentuação gráfica é sempre a de vocábulo que faz excepção à regra jeral.

2.º O sinal gráfico da acentuação tônica é por excelência o acento agudo. Marca, porém, este acento:—vogal tônica aberta em parónimos: fosse, fosse; seco, séco; reis (pl. de rei ), réis (pl. de real );— i, u tónicos depois de outra vogal: país (cf. pais ), reúne, moínho, ruím ;—a vogal u tônica depois de g em gúe, gúi (cf. 4.º): argúe, argúi .

3.º Pode ser sinal gráfico da acentuação tônica o acento circunflexo, e o será especialmente nos casos em que no fonema tônico concorra modulação necessária de ê, ô , como fica exemplificado em o número precedente, e se vê mais dos seguintes exemplos: força (cf. força ), modelo (cf. modelo ), sossego (cf. sossego ), cores (cf. cores ), cor (cf. cor em de-cór ), veem (cf. veem , do verbo vir ), dê (cf. de ), desse (cf. desse ), e aínda nos vocábulos sem parónimos, quando eles sejam esdrúxulos ou oxítonos terminados numa dessas vogais seguida ou não de s , tais: pêssego, português, fôlego, mercê .

A. R. (Aniceto Reis) Gonçalves Viana (autor) morreu em 1914; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1985.