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As Saudades do Bardo Ortodoxo

Henrique Ernesto de Almeida Coutinho (1788–1868)

Poesia10 min de leitura9 páginas

O começo

Fù corto il tuo partir, lungo é'l mio affanno; / Nè gioia spero mai, ch'il riconsole. / Tu ridi, io piango sempre; e sol compenso / Gli aspri mártir, se di te parlo e penso.

L. Guidiccioni.

PORTO: / NA IMPRENSA DE ALVARES RIBEIRO, / aos Lavadouros N.º 16. 1837. [2]

On some fond breast the parting soul relies, / Some pious drops the closing eye requires; / Even from the tomb the voice of nature cries, / Even in our ashes live their wonted fires.

De ternos corações busca saudades / 'Spirito que se ausenta, e extintos olhos / Querem piedoso pranto; a Natureza / Lá do fundo das campas inda clama, / Inda mesmo entre cinzas / Sua chama usual vive inexhausta.

Gray, cemitério da aldeia . / [3]

Ao meu amigo,

JOAQUIM TORQUATO ALVARES RIBEIRO.

Perdeste pais e irmãos, quais viu apenas / A suspirada em vão Saturnia idade; / E, sob o império de Cruel saudade, / Soffreo teu coração amargas penas. / Carpir alheios lutos / Quem os próprios carpio ah! não recusa; / Nem com olhos de pranto sempre enxutos / Simpathisar consegue a minha Musa. / Mas hoje, amigo, mais propicia sorte, / Por ver-te resarcido / Do muito que has perdido, / Deo-te, digna de ti, rara consorte, / Dos tesouros do Ceo mimo escolhido. / Oh! nunca, nunca vos separe a Morte!

Henrique Ernesto de Almeida Coutinho (autor) morreu em 1868; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1939.

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