
Os Símbolos Nacionais
Eurico de Góis (?–1938)
O começo — Prefácio
Todos os povos possuem uma alma — confirma Gustave Le Bon, num livro rico em observações judiciosas, apesar de alguns desacêrtos que contêm contra o Brasil. Essa alma é composta de sentimentos, interesses e crenças comuns. Todo povo que não tiver uma alma nessas condições, está fatalmente condenado a morrer. A cohesão étnica, um ideal forte, numa palavra, o culto das tradições, que são a síntese da alma das raças, eis o meio de, virilmente, um povo se manter. Daí, a importância máxima que devem ter as tradições pâra um país. Elas são quais muralhas cyclopicas e impassiveis, que susteem os embates sociais e impedem as dissoluções dos povos.
Quando tristemente meditamos em que o poderio romano baqueou minado pela invasão lenta e pacifica dos bárbaros, e os anais contemporâneos registram a espoliação de nada menos de meia dúzia de países fracos absorvidos pelos fortes; quando vemos o processo da «seleção natural» aplicado à história da humanidade por espíritos como Bagehot ou como Gumplowicz, outro darwinista em sociologia, que converte num quase dogma científico este golpeante enunciado: «a perpétua luta das raças é a lei da história, ao passo que a paz perpétua não é sinão o sonho dos idealistas»; quando sabemos estarem longe as miragens de fraternidade universal, vislumbradas por Tolstoi e Novicow, pois em plena conferência…
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