Paginas Timidas
Nélson de Senna (?–1952)
O começo — Capítulo 1
Corre o mês de junho de 183…
A natureza se intumesce, bela e galante, ao começo da estação primaveril.
Um sol de fogo esbate sobre as águas enfumaçadas do Rio Doce, que rolam, mugindo eternamente, sobre um álveo opulento de purissimas esmeraldas.
A’s margens do rio, na pequena abra de Cuieté , está um acampamento de Pojichás , índios de origem tapuya , pelo ramo degenerado dos Aymorés , e que naquela larga zona inda vagueiam.
E’ a época da pesca abundante, das festas da tribu, da celebração dos amores, pela fórmula singella do hymeneu primitivo.
As canoas selvagens ( ubás ) estão à banda, evitando os remansos formados aqui e ali, em redor dos cachopos coniculares e lodacentos, que irrompem, cobertos de espuma, pela gigantesca corrente do Tejo brasilico.
Margeiando a abra referida, se veem labyrinthosas florestas que se prolongam com a grande caudal, e onde se ouvem constantemente o estrugir da anta e o uivo felino do nosso tigre, acoutados no tronco carcomido e espaçoso do carvalho secular.
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.