
Fantina
O começo — I
Era meio dia.
Uma calma intensa produzia amollecimentos voluptuosos. O vasto terreiro da fazenda era de terra massa-pé, e com o refrangimento do largo sol, que caía dos telhados das sensalas parecia a abobada de um forno. Pombas mansas arrolavam tristemente lá por baixo do sobrado. Com grandes barulhos os cevados estiravam a barriga colossal na água que corria ao longo do chiqueiro. A quebreira tornava-se abafadiça. A fazenda estava quieta, num reposo pacato; as varandas desertas. Lá pelos lados de traz ouvia-se a cantiga monota de uma velha africana que pilava café no engenho; e mais confusamente percebia-se o chiar de um moroso carro de bois que subia o morro de leste. D. Luzia, estirada na cadeira que…
Fantina, bocejando muito, ia movendo os dedos sobre a cabeça de nha nhá, dando cafunés.
D. Luzia deixou cair molemente o jornal sobre o regaço e mandou a mucama ver como estavam os engemmados. E começou de pensar em Frederico. A sua fisionomia morena e sadia vinha-lhe à memória com os augmentos de um cosmorama. Ela ia aos poucos combinando as ideias, e afinal via tão nitidamente o objeto de seus ais, que estendia-lhe os braços promettedores. Derepente cerrava os sobr'olhos e batia com o pé no chão, dizendo:
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