
Ecos da minh'alma
Adélia Fonseca (?–1920)
O começo — À Angelina (no seu álbum)
Não foi, querida Angelina, / A formosura divina, / Tão mimosa e peregrina, / Que em tua face se ostenta, / Que fez nascer no meu peito / O sentimento perfeito, / Pelo Senhor tão aceito, / Que cadavez mais se aumenta.
Não é por seres donosa, / Qual purpurea e linda rosa, / Que abre fragrante e viçosa / Daurora ao desabrochar,
Que meu coração te jura / Perenne, intensa ternura, / Tão meiga sempre e tão pura / Como o teu languido olhar.
Foi, sim, tu’alma sublime, / Que abomina o feio crime, / Que a miséria não oprime / Com desdenhoso rigor; / Foi ela, morada pia, / Onde a virtude irradia, / Que, com tanta idolatria, / Grangeou meu terno amor.
Mas, meu anjo idolatrado, / 'N este amor tão elevado, / Talvez me tenha enganado, / Por não conhecer de feito, / Si amável e primorosa / És por seres virtuosa, / Ou si a virtude é formosa / Por existir no teu peito.
2 de Outubro de 1849.
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