
Eu (Augusto dos Anjos, 1912)
Augusto dos Anjos (?–1914)
O começo — A Arvore da Serra
— As arvores, meu filho, não têm alma! / E esta arvore me serve de empecilho. / É preciso cortá-la, pois, meu filho, / Para que eu tenha uma velhice calma!
— Meu pai, porque sua ira não se acalma?! / Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?! / Deus pôs almas nos cedros… no junquilho. / Esta arvore, meu pai, possui minh’alma!
— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa: / «Não mate a arvore, pai, para que eu viva!» / E quando a arvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco, / O moço triste se abraçou com o tronco / E nunca mais se levantou da terra!
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