
Santarenaida: Poema Eroi-Comico
Francisco de Paula de Figueiredo (1768–?)
O começo — CANTO I.
Pois me pedes, ó Muza, instantemente, / Que emboque a Eroica tuba altisonante, / Que a cego Marte impele os peitos fortes; / Eu que sem forsas teu caráter serio / Em versos graves sustentar não poso, / Revestido da lépida Talia / C'o a máscara atrevida, para ensaio
Cantarei o Varaõ famijerado, / Que de Baco na guerra com Neptuno / Arvorando do vinho os estandartes, / Depois de ser trovaõ, ser raio acezo, / Que espalhava terror no campo inteiro, / Victima infausta foi por fims de contas / Da vingansa cruel do Rei das águas.
Axavase em tremendo consistório / Com toda sua Corte o undozo Jove. / Nas intimas entranhas asoprado / Pela Raiva vorás o consumia / Um fogo abrazador: eram com ele / As fúrias de Acheronte, e os vastos mares / Ao som de sua vós mudos tremiaõ. / Quando depois de longos improperios / Com que a insana paixaõ dezabafára, / De sima do alto solio adamantino / Que sustentaõ seis Doricas colunas / De maculado mármore brilhante / Com bazes de oiro, e capiteis de prata, / Esta fala do peito amargurado / Soltou com grave acento aos seus Magnates.
Francisco de Paula de Figueiredo (autor) morreu em 1803; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1874.