À Hora do Crime Fantasia Dramática em 1 Ato a Propósito do Assassinato do General Prim
Francisco Luís Coutinho de Miranda
O começo — Abertura
Fantasia dramática em 1 ato / a propósito do assassinato do general Prim / por / Francisco Luiz Coutinho de Miranda / Lisboa / Typ. Livre—22, Rua da Padaria, 22 / 1871
Nasci num ano em que o sangue dos cidadãos de Lisboa allagou as praças e as ruas da capital.
Foi uma carnificina monstruosa, o 13 de março de 1838!
As guardas nacionais, colhidas à traição, foram covardemente espingardeadas à ordem dos falsos interpretes das instituições, que a guarda nacional era chamada a zelar e defender!
Ainda se não sabe ao certo o numero dos mártires daquela tremenda hecatombe!
Eram pela rua aos montões os cadáveres dos populares e dos soldados, povo também, sacrificados naquele dia aos caprichos e veleídades do governo pessoal!
E esses homens do povo, e esses guardas nacionais, todas essas vítimas inocentes da maldade e da ambição, eram na sua maior parte os valerosos companheiros do duque de Bragança; os que tinham amassado com o seu sangue generoso os alicerces do trono constitucional; os que tinham, pela sua coragem, pela sua dedicação, pelo seu civismo, conquistado para a filha do imperador-rei o trono de Portugal, na longa epopea que começou na ilha Terceira e terminou em Evora Monte!
Francisco Luís Coutinho de Miranda (autor) morreu em 1883; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1954.