Garatujas
Joaquim de Melo Freitas (1852–?)
O começo
Para que te amava eu? oh! praza aos céus / Que em quanto o sol girar pelo universo / Naufragues da paixão nos escarceus.
E porque sofro na tristeza imerso, / Pallido goivo ao pé dos mausoleus, / Oxalá que o amor te seja adverso!
*O terremoto*
Com fragor açoitando a vaga escura, / O temporal irado, espumacento / Cavalga um pérfido corcel—o vento— / Que solta gargalhadas de bravura.
Treme a terra, e com horrida figura, / Como Athlante, sacóde o turvo argento; / Nos gonzos oscilando o pavimento, / Dançam torres no assomo da loucura.
Vai o fogo alastrando o áureo manto, / As ruínas trucidam fugitivos, / Que sangrentos se abraçam convulsivos!
—O que fazer?—inquire o rei em pranto, / O ministro lhe diz com nobre espanto: / — Sepultar mortos, e cuidar dos vivos. —
*Entre palmeiras*
Faiscam os jaezes dos Cavallos, / Vibra o som dos clarins pela atmosfera; / No dorso de elefantes reverbéra / A seda e prata em crebros intervalos.
Joaquim de Melo Freitas (autor) morreu em 1923; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1994.