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Garatujas

Joaquim de Melo Freitas (1852–?)

Poesia16 min de leitura14 páginas

O começo

Para que te amava eu? oh! praza aos céus / Que em quanto o sol girar pelo universo / Naufragues da paixão nos escarceus.

E porque sofro na tristeza imerso, / Pallido goivo ao pé dos mausoleus, / Oxalá que o amor te seja adverso!

*O terremoto*

Com fragor açoitando a vaga escura, / O temporal irado, espumacento / Cavalga um pérfido corcel—o vento— / Que solta gargalhadas de bravura.

Treme a terra, e com horrida figura, / Como Athlante, sacóde o turvo argento; / Nos gonzos oscilando o pavimento, / Dançam torres no assomo da loucura.

Vai o fogo alastrando o áureo manto, / As ruínas trucidam fugitivos, / Que sangrentos se abraçam convulsivos!

—O que fazer?—inquire o rei em pranto, / O ministro lhe diz com nobre espanto: / — Sepultar mortos, e cuidar dos vivos. —

*Entre palmeiras*

Faiscam os jaezes dos Cavallos, / Vibra o som dos clarins pela atmosfera; / No dorso de elefantes reverbéra / A seda e prata em crebros intervalos.

Joaquim de Melo Freitas (autor) morreu em 1923; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1994.