A Princesa na Berlinda: Rattazzi a Vol d'oiseau, com a Biografia de Sua Alteza
Urbano de Castro (1850–?)
O começo — A PRINCEZA NA BERLINDA
Não será talvez mau começar por fazer uma declaração:―nunca passei pelos beiços guardanapos da princesa… Parece-me conveniente dizer isto. A minha terra , que era pequena no tempo de Garret, não me consta que tenha crescido, depois da sua morte… Tem até diminuído um pouco… talvez!
Foi pelos jantares que a princesa conseguiu tornar-se conhecida em Lisboa. Quando aqui chegou, vendo que ninguém a procurava, que a literatura não corria pressurosa ao Bragança , cumulando-a de elogios banais e de bilhetes de visita baratos, sentio dentro da sua alma a mordedura cruel do amor próprio ofendido. E amor próprio de mulher, amor próprio de princesa! Calculem que dentada! Esperou, um, dois, três dias… uma semana, outra… a literatura não aparecia!―Pois há de aparecer! exclamou ela―E convidou-a para jantar. E a literatura apareceu. [6] Os livros da princesa, que até então ninguém conhecia em Lisboa, e que ela mandara adiante para os livreiros, como batedores da sua fama, começaram…
Urbano de Castro (autor) morreu em 1902; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1973.