
Cultura e Opulência do Brasil por Suas Drogas e Minas
André João Antonil (1650–1716)
O começo — CAPITULO PRIMEIRO.
Do cabedal que há de ter o senhor de hum engenho real.
O ser senhor de engenho, he titulo, a que muitos aspirão, porque traz consigo, o ser servido, obedecido, e respeitado de muitos. E se for, qual deve ser, homem de cabedal, e governo; bem se pode estimar no Brazil o ser senhor de engenho, quanto proporcionadamente se estimão os títulos entre os fidalgos do Reino. Porque engenhos há na Bahia, que dão ao senhor quatro mil pães de açúcar, e outros pouco menos, com cana obrigada à moenda, de cujo rendimento logra o engenho ao menos a metade, como de qualquer outra, que nele livremente se móe: e em algumas partes ainda mais que a metade.
Dos senhores dependem os lavradores, que tem partidos arrendados em terras do mesmo engenho, como os cidadãos dos fidalgos: e quanto os senhores são mais possantes, e bem apparelhados de todo o necessário, afáveis, e verdadeiros; tanto mais são procurados, ainda dos que não tem a cana cativa, ou por antiga obrigação, ou por preço que para isso recebêrão.
André João Antonil (autor) morreu em 1716; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1787.