Sol de Inverno: Últimos Versos (1915)
António Joaquim de Castro Feijó (1859–?)
O começo — PREFACIO · I
Com o Sol de Inverno , que, neste volume, vê a luz da publicidade, e com as Novas Bailatas , que vão entrar no prelo, a obra poética de Antonio Feijó encerra-se por duas magníficas afirmações do seu alto, delicado e gentilissimo talento. A sua Musa emmudece para sempre. A sua lira quebra-se. Esses dois livros posthumos são o seu harmonioso canto do cisne… É um grande poeta e um grande artista do verso que dizem o supremo adeus à sua arte, exercida com tanta paixão e tanta nobreza!
Esses livros deixou-os o Auctor dispostos, coordenados, paginados, revistos minuciosamente, para os fazer imprimir. A morte permitiu-lhe, ao menos, cuidar desse legado valioso e opulento, que ia testar à literatura pátria. Quando ela o surpreendeu, a 20 de junho de 1917, o trabalho estava acabado.
Mas o mundo ardia em guerra. A Europa era um campo de batalha gigantesco em que os povos, como os Titans da gigantomachia do mito helenico, lutavam braço a braço, trucidando-se em torrentes de sangue. As comunicações entre a Suecia, onde Feijó fallecera, no seu posto diplomático, e Portugal, estavam quase cortadas. Os preciosos e insubstituiveis originais não podiam ser confiados a transportes aventurosos, a correios irregulares e incertos, às suspeitas da censura dos beligerantes, aos riscos dos torpedeamentos marítimos. Foi preciso que a paz se fizesse enfim e, com ela, a ordem e a normalidade da vida internacional começassem a restabelecer-se nesta convulsionada Europa, para que o…
António Joaquim de Castro Feijó (autor) morreu em 1917; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1988.