
Os Jardins ou a Arte de Aformosear as Paisagens: Poema
Jacques Delille (1738–1813)
O começo — PROLOGO DO AUTHOR.
Varias pessoas de grande merecimento escrevêrão em prosa à cerca dos Jardins. O Author deste Poema colheo delas alguns preceitos, e até descrições. Em bastantes passagens teve a dita de encontrar-se com tão bons Escritores, porque este Poema foi começado antes que eles publicassem as suas obras. Confessa que dá ao prelo com extrema desconfiança uma composição muito esperada, e engrandecida de mais: a indulgencia excessiva, dos que a ouvìrão, lhe agoira a severidade, dos que a lerem.
Este Poema, além disso, tem hum grave inconveniente, o de ser didático. Tal gênero he necessariamente hum pouco frio, e mais o deve parecer à uma Nação, que lhe custa muito (como se tem observado repetidas vezes) a tolerar versos, em não sendo os compostos para o Theatro, os que pintão as paixões, ou as baldas dos Homens. Poucas Pessoas, digo mais, até poucos Litteratos lem as Geórgicas de Virgilio, e quase todos, os que aprendêrão Latim, sabem de cor o quarto Canto da Eneida.
Jacques Delille (autor) morreu em 1813; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1884.