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Pelos Subúrbios e Vizinhanças de Lisboa

Gabriel Pereira (1847–1911)

HistóriaViagem4 h 30 de leitura237 páginas

O começo — S. Domingos de Bemfica

Na falda norte da serra de Monsanto está o logar de S. Domingos de Bemfica; um antigo mosteiro em parte abandonado, rodeado de quintas fidalgas com seus palácios, jardins, cascatas e alamedas de secular arvoredo; e uma pinha de pequeninos prédios antigos a entestar com o maninho da serra.

O nome de Monsanto feriu-me a atenção e procurei se por aqueles sítios haveria vestígios de templo ou edifício de remota antiguidade, tão raros no aro da capital. No meu segundo passeio deparei um grande mármore lavrado, provavelmente parte superior de uma ara romana, encostado à parede da quinta do sr. marquês de Fronteira.

Há duvidas todavia sobre a proveniência da pedra; julga-se não ter sido encontrada ali, sim na Ribeira velha, no antigo palácio Fronteira, por ocasião de certas obras; e removida para Bemfica há uns 40 anos.

O achado incitou-me a continuar na indagação, e num pitoresco retiro agora mal tratado da cerca monástica fui encontrar uma estatua que parece de arte romana; é na fonte do sátiro, que fr. Luis de Sousa descreve na crônica do seu convento.

Gabriel Pereira (autor) morreu em 1911; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1982.