
Os Contos do Tio Joaquim
Rodrigo Paganino (1835–1863)
O começo — PREFACIO DA 2.ª EDIÇÃO Rodrigo Paganino e a critica
Um livro aparece, ao fugir do ano! Quando o sol está descoberto, quando tudo se cala no campo, como se o frio gelasse os menores ruídos, quando um sono letárgico se apodera das plantas, e as esperanças, a alegria, as flores desaparecem da terra, um mancebo atira aos destinos o seu primeiro livro, através dos nevoeiros de dezembro!
Depois, como se fosse ainda pouco esta especie de ironia à sorte, habent sua fata libelli , declina a gloria de autor sobre um pobre homem a quem conhecera em tempos, e que não tinha de literato senão saber guiar uma junta de bois, conduzir a rabiça de um arado, ser grande menino na poda e na empa, e, para fazer um pé de lagar ou erguer uma meda de pão, dar conselhos apenas comparáveis aos do Archivo Rural !
Tio Joaquim se chamava esse amigo, que, depois de narrar muitas histórias a Rodrigo Paganino, lhe disse poucos momentos antes de morrer:—«Agora acabaram-se os contos. Lembre-se de mim quando se lembrar deles; é a herança que lhe deixo.» Para outro qualquer, este legado teria algum parentesco com o de Rebollo pai, que na hora extrema concedia a seu filho a certeza de lhe deixar uma boa cabeça; mas Rodrigo Paganino, para honrar a memoria do velho, entendeu que devia dos contos dele fazer um bom livro, e foi o que fez!
Rodrigo Paganino (autor) morreu em 1863; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1934.