O Livro do Chá
Kakuzo Okakura (?–1913)
O começo
O chá começou como um remédio e se transformou em uma bebida. Na China, no século VIII, entrou no reino da poesia como uma das diversões educadas. O século XV viu o Japão enobrecê-lo em uma religião de esteticismo --Teaísmo. Teaísmo é um culto fundado na adoração do belo entre os fatos sórdidos da existência cotidiana. Inculca pureza e harmonia, o mistério da caridade mútua, o romantismo da ordem social. É essencialmente uma adoração do Imperfeito, pois é uma tentativa tenra de realizar algo possível nesta coisa impossível que conhecemos como vida.
A Filosofia do Chá não é mero esteticismo na aceitação comum do termo, pois expressa conjuntamente com a ética e a religião todo o nosso ponto de vista sobre o homem e a natureza. É higiene, pois reforça a limpeza; é economia, pois mostra conforto na simplicidade, em vez de no complexo e caro; É a geometria moral, na medida em que define nosso senso de proporção com o universo. Ele representa o verdadeiro espírito da democracia oriental, fazendo todos os seus devotos aristocratas no gosto.
Autor morreu em 1913; obra em domínio público no Brasil desde 1984 (Lei 9.610/98, art. 41). Esta tradução é nossa, feita do original — art. 14.