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Noturnos

Gonçalves Crespo (1846–?)

Poesia43 min de leitura38 páginas

O começo — CONFIDENZA

Perguntaste-me um dia a vida que eu levava. Mimosa e ebúrnea flor, Em antes de te ver; respondo-te: sonhava… Ouviste, meu amor? / Não era bem sonhar: às vezes largo espaço Ficava-me a sorrir Para os quadros que eu via em luminoso traço Nas telas do porvir. / [4] Presta-me o ouvido atento, escuta-me, querida, Os que me lembram mais: Assim, fita nos meus, ó pomba estremecida, Os olhos teus leais! / Olha este quadro e vê: o campo alegre e franco, Uma aurora de abril: Da larga estrada à beira um campanário branco, O céu profundo anil. / De uma casa à janela uma criança loura, Loura como um trigal: Fiando à luz do sol que leve a sobredoura De aureola ideal. / Toda risos e festa a doce criatura…

Gonçalves Crespo (autor) morreu em 1883; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1954.