Livros › Brito Camacho › Ao de Leve

Capa de Ao de Leve

Ao de Leve

Brito Camacho (1862–?)

Romance1 h 30 de leitura81 páginas

O começo

—E quantas dessas lhe parece que serão inteligentes?

—Algumas dúzias.

—Pois essas formam a sua clientela; o resto pertence-me.

Vinha isto a propósito… a propósito… Ah! sim; a propósito da tiragem do jornal, que o administrador acha pequena.

A necessidade de equilibrar o orçamento pode obrigar o governo a impôr sacrifícios aos funcionários.

(Dos jornais).

Era manso como um cordeiro, e leal como um velho amigo.

O general montava raras vezes; mas ia todos os dias visitar o seu Turco , limpar-lhe a mangedoira, pentear-lhe a crina, passar-lhe a mão pelo lombo, numa carícia que o animal agradecia, olhando-o com ternura.

Às vezes, a caminho do tanque, encabritava-se com o impedido, dando saltos, como se quisesse fugir pelos campos fora, no gozo de uma liberdade que não conhecia, mas que adivinhava.

Lá em baixo, na várzea, as éguas pastavam tranquilamente; e os poldros, virgens de toda a domesticidade, pulavam como cabritos, metendo a cabeça entre as mãos, e logo desatando numa correria doida, bebendo os ventos, o pescoço muito extendido, o focinho alto, as narinas muito abertas, respirando com estrondo. E era então que ele se encabritava com o impedido, firmando-se nas patas trazeiras, dando grandes sacões inúteis, porque a arreata era firme, e a mão que a segurava era forte.

Brito Camacho (autor) morreu em 1934; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2005.