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Viriato Trágico, Século XVII

Júlio Dantas (?–1962)

Religião e mito21 min de leitura19 páginas

O começo

O RISO, entrando, às gargalhadas, vestido de uma túnica bicolor coiis:- tellada de guisos, com seu birro de grã onde tilinta um cascavel de prata, palheta doirada a reluzir na mão, e fazendo, em esgares de chasco insolente, aS" três mesuras clássicas:

Pois 7iam sabeis quem sou? Corpo canhestro e tosco ^ Vivo dentro de vós e dou-me bem convosco ! Heróico e folião mas doloroso às ve\es Sou useiro e veseiro em beiços portugueses ! Olhae-me bem ! Relu\ na minha mão crispada Como um raio de sol a palheta doirada ; E a máscara que trago a trégeitar de troça Esta máscara toipe,., é a imagem da vossa! Vede com que tinido e graça chocarreira O argênteo cascavel tilinta na gualteira !

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Bargantão e boçal ^ indiferente e charro Olhae bem para mim : somos do mesmo barro ! A minha casa é o mundo ; a minha vo é o guiso ! Sou a monstruosidade a que se chama Riso — O riso que se compra o riso que se paga ! Retino como a prata e rasgo como a chaga ! Sou eu que a foliar desde épocas já velhas Repuxo a vossa boca à frente das orelhas; E se de i>os me apay'to humanidade brusca Compraes-me a peso d' oiro e andaesA minha busca ! Basta olhar-me uma ve:{ : i'econhecer-me-heis ! Ayite mim são iguais os mendigos e os reis E faço como a morte a humanidade igual ! Olhae bem para mim terra de Portugal !

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