
Sermões de Joseph Gregório Lopes da Câmara Sinval
José Gregorio Lopes da Camara Sinval
O começo
Alguma vez me pareceram nublosas e abstratas por de mais as orações do meu amigo. Uma aí está, proferida nó templo de S. Francisco, do Porto, em 15 de Dezembro de 1851. O assumpto era a imaculada Conceição. Num periódico religioso daquele tempo, escrevi uma breve análise ao magnifico sermão, e lembrei ao orador, assim erudito que despresumpçoso, a obrigação que lhe corria de se descer até ao povo inculto, atten- Xn INTRODUCÇÃO dendo menos à minoria das inteligências. Lembrei-lh'o com as palavras de Luiz Muratori, o autor do precioso livrinho, intitulado Eloquência popular 1 .
Para ajuizar-se de uma das excelências de Gamara Sinval — a modéstia, não enroupada nas transparentes humildados do orgulho — vem a ponto aqui trasladar um período da carta que, aludindo à minha análise, o eminente orador me escreveu :
c . . . • ♦ c Tem V. muita e muita razão. Clareza é a pri* meira virtude de todo o discurso oratório. Mas que quer o meu amigo? Ser claro, para todas as inteligências, em um sermão de Mysterio, de proposição, senão nova entre os teólogos, de certo menos comum nos auditórios, e isto no improrogavel prazo (como insinuai Cito as palavras do singelo e profirado escritor: são conselhos que Tão sempre bem deparados : a Dous gêneros há de eloquência: um, a sublimo; outro, a popular. Com a sublime, fonnam-se discursos ricos de ideias grandiosos, engenhosos argumentos, brilhantes expressões, e arredondados períodos. Com a popular, expõe-se chãmente as verdades eternas, e ensinam-se ao povo cousas do…
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