Fialho d'Almeida
Bento de Oliveira Cardoso, Visconde de Villa-Moura (1877–?)
O começo — CUBA E VILLA DE FRADES
Eu estive já, por duas vezes, em Villa de Frades, no largo da Misericordia, onde foi aquela «casinha de taipa, construída por pedreiros da gente de Fialho»—como ele nos conta na
Autobiographia do seu livro— À Esquina .
Fui ali quando das minhas jornadas pelo Baixo Alemtejo, em excursão de curioso pelo mais da sua gente e paisagem.
A primeira vez que visitei a residência de Fialho, que não é já hoje a casita de taipa que os seus construíram, mas uma das melhores da terriola,—foi por uma tarde de agosto, uma daquelas tardes de rescaldo que erguem, à volta de nós, serpentes de fogo, e lhe ensinaram, a ele, a sua pintura deslumbrante, à maneira de Rubens, em que a própria cor queima!
Não foi sem um certo alvoroço, confesso, que bati ao portão da antiga casa do Escriptor.
Veio alguém abri-lo, deixando a descoberto, a meio de uma segunda porta fronteira, um homem alto, vestido de negro, de aspecto recolhido, quase eclesiástico, e que, num instante, me encarou e desapareceu, abandonando-me no jardim, ao sol, com o meu remorso de indiscreto.
Bento de Oliveira Cardoso, Visconde de Villa-Moura (autor) morreu em 1935; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2006.