
Crônica de el-Rei D. Afonso Henriques
Duarte Galvão (1446–1517)
O começo — PROLOGO
A Chronica de Duarte Galvão é a lenda de Affonso Henriques, do fundador de Portugal. O autor encontrou noticias, narrativas, tradições; agrupou-as, apurou-lhes a linguagem, e formou assim a Chronica que apresentou a D. Manoel. Mais tarde mudaram costumes, augmentaram convenções sociais, cresceu a polidez cortezan, e a critica abafou o livro perigoso, inconveniente. Chegaram a chamar-lhe conjunto de fabulas. As brigas com a mãe, a violência feroz com o legado de Roma ofendiam os bons costumes, as delicadas maneiras.
Na Chronica há lenda e tradição a par de narrativas baseadas em factos. As lutas com D. Affonso de Castella, as campanhas systematicas e porfiadas com os sarracenos, todo esse esforço enorme para aumentar o reino e garantir-lhe a independência são factos averiguados.
A bela tradição a respeito de Egas Moniz, a do cavaleiro Henrique e da palmeira que nasceu na sua cova, a lenda do corpo de S. Vicente, guardado pelo corvo, são lendas ou tradições antigas acreditadas já na funda idade media, justificadas pela escultura, pela epigraphia, ou por antiquissimos escritos. A descrição do casamento de D. Mafalda, filha de D. Affonso Henriques, parece ter uma base verdadeira, algum escrito mui antigo que o cronista soube aproveitar.
Duarte Galvão (autor) morreu em 1517; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1588.