
O Mundo Vive de Ilusão: Poemas
O começo
» G. d« Moniz Bknret».
Gabinete vasto, forrado de altas estantes de carvalho. A um lado, uma larga mesa coberta de livros. Em frente da mesa, ao outro extremo da casa, um busto de Platão, em mármore» sobre um pedestal de ébano. Duas janelas, ao fundo, abrem para uma perspectiva de montanhas.
RAPHAEL (de pé, a Philaletho, que o ouve sentado à larga mesa de trabalho).
— « Que poder deu ao teu olhar Essa inviolável expressão De deus, que indiferente vê rolar O mar da Creaçâo ?
Porque é que nos perturba, se nos fita, O teu olhar sem cor, só luz, Terror-de-céo que nos seduz Como o olhar de Seraphita ?
' 14 SSSSB
Porque é que os olhos tais, íiitiigo, têm Moço repouso e eternidade? Jamais, jamais os teve assim ninguém De uma tão implacável clarídade I
Só meus turvados olhos, sempre inquietos, £m vão procuram onde repousar I Tentados por ephémeros aspectos Jamais podem parar !
£' que já me allucína a Vida, como ronda Onde, de mão em mau, correm fachos ardentes. A' busca do Existente, em vão meu olhar sonda Um mar de sombras vans e tintas aparentes.
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