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Obras [do V. de Almeida-Garrett.] — Volume 3

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett Almeida Garrett (Visconde de)

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O começo

Digo que tinha dezoito anos quando escrevi a Merope. Mas tinha dôz'quando comecei a pensar nela. Estava eu na ilha Terceira, e cheio de presumpções de hellenista porque um santo velho que ali havia, o Sr. Joaquim Alves — excelente homem que usava do mais esquisito barrete e da melhor marmelada que ainda se fez — me tinha feito intender quatro versos de Homero. Tive a confiança de querer ler Euripides no original; e com o auxilio do Padre Brumoy, cheguei a conhecer sofrivelmente algumas das suas tragedias. Não cabia em mim de contentamento e de entusiasmo. Euripides era o maior trágico do mundo: — já se vê porquê.

— E mais falta o seu melhor drama que se perdeu— me dizia o bom do velho — a Merope isso é que era tragedia!

Digitized Que pena perder-se a Merope! cismava eu noite e dia.

Havia ali também naquela minha saudosa ilha Terceira outro velho que me ajudou a criar, e a quem devo quase tudo o que sei: era meu tio D. Alexandre que não gostava de Euripides, — bárbaro! — nem ^creditava na minha ciência helénica, — incrédulo I — e que, de mais a mais, um dia me fez perder as minhas tão caras e doces ilusões, dizendo-me que no teatro inglês e no castelhano havia melhores coisas que nos clássicos de Athenas.

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