Luar de Janeiro
Augusto Gil (1873–1929)
O começo — AUGUSTO GIL
Àqueles que virem, neste volume de líricas, uma reviravolta efetuada sobre a gênese d' O Canto da Cigarra objectarei, com antecipada promessa de fácil prova, que os dois livros têm uma tão intima ligação como a existente entre os pontos extremos da curva damplitude dum pêndulo.
Aos que me censurem pela circunstância de não ter logrado, na minha subalterna categoria de poeta menor, firmar-me numa posição dequilíbrio estável, pergunto, em tom humilde, quem é que neste confuso século de latente misticismo humanitário, de demolidora negação e dansiedade conjuntamente aflitiva e cética, terá a coragem de dizer que o encontrou—já não quero como artista, porque a esse as influências ambientes lhe comunicam entre-cruzadas e descoordenadas vibrações—mas na própria e mais serena esfera do pensamento. Se algum de vós me retorquir com o eureka do antigo geometra, ou é um sectário, ou um caturra,—ou um simples.
Augusto Gil (autor) morreu em 1929; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2000.