Livros › Eduardo Augusto Vidal › Guelfos e Gibelinos: Tentativa Critica sobre a Atual Polemica Literária

Capa de Guelfos e Gibelinos: Tentativa Critica sobre a Atual Polemica Literária

Guelfos e Gibelinos: Tentativa Critica sobre a Atual Polemica Literária

Eduardo Augusto Vidal (1841–?)

O começo

Quando chegardes àquele tercetto assombroso de verdade e de candura, em que depois do primeiro beijo eles fecham para sempre o livro,

abjurae a metafísica moderna, ou, se o não poderdes fazer, ide então, novos Œdipos, decifrar o

que o poeta põe na boca de Nemrod!

Deixemo-nos de distinções fúteis, de demarcações impossíveis, de banalidades pueris; em literatura só pode haver uma escola—a da verdade. Ninguém inventa, ninguém innova; todos exprimem, todos modelam, todos traduzem, todos sublimam na forma. A humanidade é o solo imenso sobre que o poeta levanta os seus monumentos. Todos eles são feitos do mesmo bronze, todos eles transsudam as mesmas claridades. No frontal dessas moles altissimas o arquiteto grava o seu nome, imprime o seu cunho, chancella a sua obra, e deixa-a às gerações. O Pantheon é de mármore como a catedral gótica; naquele ha, todavia, a simplicidade correta, nesta os enredamentos e as laçarias caprichosas. De que diferente especie…

Eduardo Augusto Vidal (autor) morreu em 1907; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1978.