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Cantos na Solidão

Manuel Ferreira da Portella

Romance1 h 50 de leitura103 páginas

O começo

Atiradas, pois, mais flechas contra mim, ainda assim terão poder para novas sensações? Não q suponho, pois TI que nem eu creio, que a ventura intima me seja contestada, nem o conceito, que formei, despersuadido.

Mais: quem preferiu a austeridade da critica sinceia e justa à hipocrisia aduladora, também entendeu ser mais estimado o perfume de uma rosa natural, que o brilho das grinaldas postiças, inodoras e artificiais, como tantas por aí se veem. Saberei, se me engano.

Agora mais duas palavras para inteligência da disposição do livro.

Isso que aí vai hoje correr mundo, antes de haver o titulo — Cantos na solidão — medrou na minha gaveta com as baptismaes e ingénuas palavras — Meus únicos prazeres. E eram-n'o de certo 1 No intervalo de lagiima a lágrima quantas vezes por um som vibrado por mim nesse mundo solitário, e vivido a meu modo, não fui eu lá longe dos bulícios mundanos achar para as mágoas lenitivo suave I Mysteriosa antinomia I poesia por desgraça! prazer por desconsolo.

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