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Cantares Dum Noctivago

Ariosto

Poesia7 min de leitura6 páginas

O começo

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PÓRTICO «O livro há de ser do que vai escrito nelte».

Birnaldim Ribeiro.

%uma manhã quente de sol e vida descançaram sobre a minha banca de pinho as provas do mimoso trabolho com que o %Ariosto Silva ia dar para o mundo das Ultras o seu delicado primeiro passo. Levantei as mãos ao ar e se as não choquei em delírio 9 no entusiasmo que me fazia pular, foi porque ali d esquerda tenho um visi- IO nho que sofre de insônias e de ve\ em quando me fa\ arrepiar com as suas acalinadas descomposturas . . .

Li e reli as provas ansioso. Depois, quando ultima leitura, pausada, pela necessidade de ser sincero na apreciação a que me propux, fiquei — claramente o digo — com uma impressão de todo o trabalho, se alguma coisa alegre, muito desconsolado.

Tive a intima convicção de que o livrito do %Ariosto ia merecer a seus ledores uma acusação violenta pelos seus claros defeitos — como a pouca plasticidade no tecido dalgumas ima" gens e a falta de ritmo nalguns versos — sem se lembrarem de que o esperançoso troveiro escreveu com o coração nas mãos as quadras que formam a sua estreia, sem sacrificar ds exigências da poética a sensibilidade orgulhosa da sua alma.

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