Álbum do Ator Santos: Repositório de Curiosidades Dramáticas
José Carlos dos Santos, Francisco Gomes de Amorim
O começo
-ÁLBUM DO ACTOR SANTOS •->--.
— O Santos, imita lá um cego para eu ver...
Sentou-se, e cu principiei a fazer a diligência por lhe satisfazer o desejo; daí a pouco, Manoela, com a sua ingenuidade infantil e expansiva alegria dos 18 anos, gritava, batendo com as mãos :
— Bravo. Santos I bravo I é isso, é isso mesmo ! Que verdadeiro cego I ! . . . que cego tão perfeito I . . .
Acinte anos depois eu fazia o papel coni todo o realismo. . . e se Manoela ainda fosse viva, recordar-se-liia com verdadeira magoa e sentimento do ensaio da Vallcria e se alguma vez me encontrasse na rua de certo não desviaria o olhar, nem hesitaria um momento em me oííerecer o seu braço para me ajudar a atravessar de um passeio a outro... tinha alma e coração para isso I . . .
Nota alegre. . . já estava a descambar para a tristeza.
Como já disse, nem todos os meus biógrafos sabiam certas particularidades da minha vida artística; eu talvez como manhoso as guardasse para mim, para que se algum dia publij casse um livro tivesse também alguma cousa a dizer, e quisesse fazer como os pyrotechnicos que guardam para o final as melhores peças de fogo preso.
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