Um Novo Mundo
Guilherme Read Cabral (1821–?)
O começo
—Estes quadros são provavelmente, a reprodução fixa desses teus sonhos doutrora?
—Não senhor! É da realidade!
Voltei-me para ele, e o meu olhar obrigou-o a dizer-me:
—«Sem duvida, julgas-te na presença de um mentecapto!»
—Em quanto te tinha como phantasista, ou para melhor dizer,—o nephelibata da pintura—não passavas de originalismo, mas quando me queres impôr que tudo isto é verdadeiro, francamente, não me parece que estejas no teu juízo perfeito.
—Dessa maneira, de que me serve contar-te a historia representada nestes quadros?
Ter-me-has na conta de um improvizador, e não sei mesmo, se de intrujão.
—Tudo, menos isso, Luiz!
Conheço demais a seriedade do teu caráter: mas não haverá no teu espirito uma ilusão, filha dos teus insaciáveis desejos de penetrar os mistérios vedados à nossa investigação?
—Não, Carlos! Estes quadros são as memorias vivas do que me foi dado ver!
—O que homem! O centro da terra, e o fundo dos mares?
Guilherme Read Cabral (autor) morreu em 1897; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1968.