Livros › Arnaldo Gama, Camilo Castelo Branco › A Comédia a Sério

Capa de A Comédia a Sério

A Comédia a Sério

Arnaldo Gama, Camilo Castelo Branco

Teatro3 h 20 de leitura175 páginas

O começo

|Á lá vão trinta anos.

Havia abbadessado no real mosteiro de S. Bento d' Ave Maria. Confluiam ao outeiro das grades e do pátio do festival convento iluminado poetas antigos, famosos no soneto arcadico, e poetas da ultima hora, vaporosos, mais intendidos em brizas que um piloto e mais relacionados com as estrelas que um astrônomo. Estava o deputadocommendador Correia Leal, de alcunha o Rectapronuncia que, recebido o mote, improvisava um cento de quadras conceituosas sem despegar; estava o Xavier Pacheco, redator AoCmvmercio do Porto um poeta de velha tempera, intransigente, que justificava o seu aferro às antigás fórmulas pela correção elegante e irrepreensível dos seus sonetos. Rivalisava-o José Ma- VI A COMEDIA…

Entre os rapazes, floreciam Arnaldo Gama, António Girão, os irmãos Lusos, António Coelho Lousada, Faustino Xavier de Novaes e mais duas dezenas de poetas anonymps, trovadores em flagrante delito, cytharista-e de ocasião, inspirados fulminantemente pelas meninas do coro e pelas mais selectas criadas das monjas que ofereciam mais probabilidades — as criadas, entende-se— de se deixarem seduzir pelas rimas, até se •esvoaçarem daquelas gaiolas às cristas do monte Parnaso.

A instituição que digitalizou declara a obra fora de direito autoral (Internet Archive, possible-copyright-status: NOT_IN_COPYRIGHT). Texto obtido por OCR: pode conter erros de leitura.