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Sem Titulo

Alexandre Pushkin (?–1837)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo — 2

A MANCENILHA a arvore do veneno. / Lá, no extenso deserto, árido e resequido, / n՚um solo rubro até por um calor ardente, / a mancenilha existe, única no universo, / qual firme sentinela ameaçadora e ingente.

A essência especial das planícies sequiosas / desenvolveu-lhe um dia atroz rancor sanhudo: / e o pálido verdor das hastes, e as raízes, / subtilmente embebeu com um veneno agudo.

Pela casca, através, gotteja-lhe o veneno, / fundindo-se ao calor que ao meio dia empina, / e pelo anoitecer começa a concretar-se / em forma de uma espessa e límpida resina.

Os tigres fogem dela e as aves dela fogem. / só o negro turbilhāo, nem sempre em fúria alado, / passa sem se deter pela arvore da morte; / mas, quando ao longe vai, vai já envenenado.

Se por acaso, enfim, qualquer errante nuvem / as folhas, ao passar, lhe banha adormecidas, / cai dos seus ramos, já, envenenada chuva, / regando o ardente solo e areias aquecidas.

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