Dialogo entre Dous Cidadãos do Reino de Zilbra
autoria não identificada
O começo — PRIMEIRO CIDADÃO.
Quem diria, meu caro amigo, que a revolução tão felizmente operada não produziria a nossa felicidade? Quando esperávamos, que as artes, e as ciências tomarião um novo brilho, e que a Agricultura, fonte perene de todas as riquezas produziria a felicidade de todas as classes da sociedade, he quando pelo contrario, e quase sem remédio nos vemos sepultados em um mar de desgraças: por toda a parte que lançamos a vista, só encontramos precipios, e se assim vai este vasto Reino em breve será riscado do catálogo das Nações.
SEGUNDO CIDADÃO
Isso he uma pura verdade: a meu ver se fizermos o contraste entre o bem, e o mal, estou em dizer, que os Leiroszibrá eram mais felizes, quando regidos pela vara de ferro dos Reis-vice, do que o são presentemente; então não havia o sem numero de vadios, e ladrões, que hoje inundão os Campos, as Aldeias, Villas, e Cidades; eram raros os assassínios: hoje pelo contrario acabou-se a segurança publica; pois que esses mesmos vadios, e ladrões são assalariados para insultar, atacar, e assassinar impunemente: de muitos deles se tem formado corpos permanentes com ampla autoridade; e outros ainda vagueão de dia, e de noite pelas ruas, e praças publicas, prontos a receber o punhal, e o sovelão, para o…
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