
A Índia Portuguesa: Conferência Feita em 16 de Março de 1908
Hypacio de Brion (1858–?)
O começo
No decorrer do século XVII, libertado Portugal do jugo castelhano, revivem as nossas qualidades guerreiras. O Brazil, a Africa e a India são ainda teatro de novos combates e de novas vitórias, entramos pouco a pouco na posse do que era nosso, mas muito estava perdido sem remédio!
Accentua-se gradualmente a queda do nosso prestigio e vão-se perdendo e abandonando sucessivamente Malaca, Colombo, Cochim, Tana, Baçaim e tantas outras.
No ultimo quartel do século XVII ainda um clarão ilumina essa India já tão obscurecida, e o conde da Ega aumenta o seu território com a conquista de Pondá, Zubulim e Salsete, chamadas as Novas Conquistas. Mas alvorece o século XIX e toda a Europa arde em guerra.
Napoleão domina e vence os seus mais fortes e encarniçados inimigos. As águias triumphadoras passeiam de Moscow a Lisboa. Portugal lá vai arrastado na torrente, seguindo a sorte daqueles a quem se ligou. A corte foge para o Brazil, é Junot que governa. Como vai longe o tempo em que os povos da Europa e do Oriente procuravam a nossa aliança! Agora, somos nós, que para salvarmos Gôa, essa perola tão querida do grande Affonso, vamos pedir à Inglaterra, que mande alguns dos seus soldados guarnecer as fortalezas, que a tanto poder tinham resistido! De fato ali se alojaram, e só a muito custo de lá saíram em 1813. Em 150 anos tínhamos feito tão grande obra, que foram precisos, quase, outros 150,…
Hypacio de Brion (autor) morreu em 1926; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1997.