Os Luso-Arabes
António Maria de Oliveira Parreira
O começo — Introducção
Ao lermos os nossos pretendidos tratados de historia, parece que nos tempos antigos toda a humanidade se resumia nos hebreus, gregos e romanos.
Se quisermos que a historia seja instrutiva, devemos ampliar-lhe o quadro.
LOUIS FIGUIER - Vie des Savants du moyen âge.
Emballados com lendas de mouras encantadas, os nossos espíritos infantis, logo que começam a saber dirigir o pensamento, phantasiam horizontes irisados e maravilhosos, onde o brilho do ouro e o scintillar das joias nos afetam a retina com efeitos mágicos de luz; e nos nossos devaneios de criança vemos em imaginação perpassarem-nos ante os olhos allucinados, lindos rostos femininos, corpos esbeltos de ninfas aéreas, trajando galas deslumbrantes ou coloridas de tons suavissimos; ouvimos o timbre mavioso e meigo das suas vozes de fada, acalentando-nos os sonhos pueris, ao som de alaudes mágicos, em noites amenas de luar, à borda dos lagos ou à sombra dos amieiros da ribeira: e nenhum de nós,…
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