Poesias (Zaluar)
Augusto Emílio Zaluar (?–1882)
O começo — 1
POESIA I. AO MEU AMIGO A. J. DE SOUSA ALMADA. / De saudades e desejos / Os meus cantos só componho: / Se algumas horas me riem / São cartas horas de um sonho.
· · · · · · · · · ·
Leia-me a virgem que à tarde / A hora em que baixa o sol, / No jardim passeia e pára / Quando escuta o rouxinol. / Castilho — Amor e Melancolia .
Eu não invejo disputar aos bardos / Seus cantos imortais! / Aos tristres só consagrarei meus hinos, / A eles os meus ais!
São filhas da tristeza e da saudade / Estas singelas flores, — / São colhidas pela mão do infortúnio / Com espinhos e dores!
Qual seca folha ao tronco desprendida, / Que o vento arrebatou, / E pelos campos sem destino ou rumo / Solitaria vagou!
Assim os versos meus irão perder-se / Em ludibrio da sorte, / Até quebrar-se a lira do poeta / Ao seu hino de morte!
Mas lá na pedra rasa irás gravar-me / ′Saudade ao trovador!’ / Ajoelhar depois, — e sobre a campa / Irás chorar-me a dor.
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.