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Poesias (Zaluar)

Augusto Emílio Zaluar (?–1882)

Poesia19 min de leitura16 páginas

O começo — 1

POESIA I. AO MEU AMIGO A. J. DE SOUSA ALMADA. / De saudades e desejos / Os meus cantos só componho: / Se algumas horas me riem / São cartas horas de um sonho.

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Leia-me a virgem que à tarde / A hora em que baixa o sol, / No jardim passeia e pára / Quando escuta o rouxinol. / Castilho — Amor e Melancolia .

Eu não invejo disputar aos bardos / Seus cantos imortais! / Aos tristres só consagrarei meus hinos, / A eles os meus ais!

São filhas da tristeza e da saudade / Estas singelas flores, — / São colhidas pela mão do infortúnio / Com espinhos e dores!

Qual seca folha ao tronco desprendida, / Que o vento arrebatou, / E pelos campos sem destino ou rumo / Solitaria vagou!

Assim os versos meus irão perder-se / Em ludibrio da sorte, / Até quebrar-se a lira do poeta / Ao seu hino de morte!

Mas lá na pedra rasa irás gravar-me / ′Saudade ao trovador!’ / Ajoelhar depois, — e sobre a campa / Irás chorar-me a dor.

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