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Capa de Severina (1890)

Severina (1890)

Guiomar Torresão (?–1898)

Contos19 min de leitura17 páginas

O começo

Pelas largas eharneeas, devastadas por um sol inelemente e fustigadas, no inverno, pelo ríspido sudoeste que se levanta do mar em ímpetos tigrinos, ehega-se a Sines, uma aldeia da Extremadura, eravada na aresta do oceano, eomo uma ilhota inexplorada.

Envolve-a na sua folhagem verde-negra o amplo pinheiral, cngrandeee a eom o seu estreito abraço o majestoso oeeano e isola-a do mundo, das suas ruidosas festas e das suas intermináveis lutas, a auseneia do eaminho de ferro.

Foi em Sines que o príncipe D. Miguel de Bragança embareou para o exílio, donde seguiu, sem tornar a pisar a terra da pátria, para a lúgubre viagem do tumulo.

Nos longos serões do inverno, quando as ondas se erguem em promontorios, despedaçando-se de eneontro às ribas e o vento rebenta da barra, bramindo e galopando ao longo da vasta planieie ondulante, como um ehacal esfaimado, os velhos peseadores, assentados à lareira, contam à família, agrupada na muda atitude devota dos auditorios ingênuos, a legenda daquele pobre rei destronado, que atravessou a vila apedrejado pelos homens e escarnecido pelas mulheres.

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