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Quadros de História Portuguesa

I. F. Silveira da Mota (1836–?)

História1 h 40 de leitura92 páginas

O começo — Fundação da monarchia · 1097 A 1179

Bem como a vida dos indivíduos a vida dos povos é dilatada ou curta. Assim muitas nações, que existiam robustas e altivas durante a idade média, annullaram-se ou desapareceram, absorvidas umas por estados mais poderosos, desmembradas outras pelas conveniências politicas; e Portugal, aparentemente débil na origem, mas que por milagres desforço e de perseverança chegou a constituir a nação mais forte e audaz da Europa, vive ainda, e encontrará a sua defensão em saberem seus filhos repelir, com energia, quaisquer sugestões traiçoeiras ou tentativas violentas contra a terra que livres herdaram, e onde livres querem morrer.

Qual tem sido, porém, a causa dessa longa vida, desse vigor da juventude e da idade viril, dessa tenacidade que se conserva ainda no seio da decrepidez? É o que procuraremos descobrir, examinando rapidamente a historia dos seus primeiros anos.

Logo que o império wisigodo se desmoronou ao embate impetuoso do fanatismo dos árabes, a reação cristã e europeia começou imediatamente. Desde a batalha do Chryssus até o recontro de Cangas de Onis mediou curto espaço, mas tanto bastou para que os muçulmanos gastassem nas dissensões intestinas o provado valor, e para que os godos, retemperados pelo infortúnio, recuperassem a ousadia e firmeza, que são as mais seguras armas dos povos ameaçados na sua existência. O poderio cristão foi, pois, crescendo de novo e prosperando, lenta mas persistentemente, e já, meado o século XI, Affonso VI, reinava sem resistência nas Asturias, Galliza, Leão e Castella, e conquistava ou fazia tributarias as…

I. F. Silveira da Mota (autor) morreu em 1907; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1978.