Livros › Urbano Loureiro › Questão do Palheiro: Coimbrões e Lisboetas

Capa de Questão do Palheiro: Coimbrões e Lisboetas

Questão do Palheiro: Coimbrões e Lisboetas

Urbano Loureiro (1845–1880)

PoesiaHumorPolítica e sociedade7 min de leitura6 páginas

O começo — I.

Aí p'ra as bandas de baixo / que barulho, que rumor! / É o vinho do Cartaxo, / ou é do Aleixo o licor? / A questão anda ateada, / por um tris não há pancada, / e nem um cabo sequer! / Nem cabos, nem regedor, / nem alma viva na rua, / nem um cão ladrando à lua, / p'ra despertar a patrulha, / que resona agasalhada / nos capotes doleado, / às soleiras encostada / sem se importar com a bulha, / que me vai na vizinhança. / Estaremos na Bairrada?!

Que agentes de seguranca!… / Mas fala-se em lit'ratura; / lit'ratura despartilho / e lit'ratura nevoenta…? / Adivinhei a final! / Não é por vinho o barulho, / vem a ser outro o sarilho: / é a gente do Quental / com a gente do Castilho!

Ora o leitor quer saber / donde é que nasce a questão? / Vou falar-lhe sem paixão; / atenda e confie em mim, / que não sou parte suspeita; / a historia, co'a maleita, / lá vai tim-tim por tim-tim.

Urbano Loureiro (autor) morreu em 1880; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1951.