A Criança, o Anjo e Flor
autoria não identificada
O começo
Quando morre uma criança, desce um anjo do céu, toma-a nos braços, e desdobrando as asas imaculadas, voa por cima de todos os sítios que ela amara durante a sua pequenina existência; o anjo abaixa-se de quando em quando para colher flores, que leva a Deus, para que floresçam no paraíso ainda mais belas do que tinham sido na terra. Deus recebe todas as flores, escolhe uma delas, toca-a com os lábios, e a flor escolhida, adquirindo voz imediatamente, começa a cantar os coros maviosos dos bem-aventurados. Ora escutai o que disse o anjo a uma criança morta, que o estava ouvindo como num sonho. Pairaram primeiro sobre a casa em que a criança brincara, e depois sobre jardins deliciosos, cobertos…
«Qual é a flor que desejas para plantar no paraíso?» perguntou o anjo.
Havia nesse jardim uma roseira que tinha sido direita, vigorosa, magnífica; mas quebraram-lhe o pé, e todos os seus ramos cheios de botõezinhos lindíssimos pendiam estiolados para o chão.
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