História da Donzela Teodora (Recolha de Luís da Câmara Cascudo)
autoria não identificada
O começo
Houve no reino de Tunes / Um grande negociante, / Era natural da Hungria / Negociava ambulante, / A quem se podia chamar / Um´alma pura e constante.
Andando um dia na praça, / Numa porta pôde ver / Uma donzela cristã / Ali para se vender; / O mercador viu aquilo / Não mais pôde se conter.
Tinha feições de fidalga, / Era uma espanhola bela, / Ele perguntou ao mouro / Quanto queria por ela; / Entraram então em negócio / Negociaram a donzela.
O húngaro conheceu nela / As formas de fidalguia, / Mandou educá-la bem / Na melhor casa que havia, / Em pouco tempo ela soube / O que ninguém mais sabia.
Mandou ensinar primeiro / Música e filosofia, / Ela sem mestre estudou / Metafísica e astrologia, / Descrever com distinção / História e anatomia.
Ela que já era um ente / Nascido por excelência / Como que tivesse vindo / Das entranhas da ciência / Tinha por pai o saber / Por mãe a inteligência
Tinha ela em pouco tempo / Tão grande adiantamento, / Que só Salomão teria / Um tamanho conhecimento; / Cantava música e tocava / Qualquer que fosse o instrumento
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