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Cinco de Maio (1885)

Alessandro Manzoni (?–1873)

Poesia20 min de leitura17 páginas

O começo — Proemio

OMPLETAM-SE hoje 64 anos que, desterrado em um rochedo vizinho da Africa, no meio do Oceano Atlantico, exhalou o derradeiro alento um dos homens mais extraordinários que a historia rememora.

Quem fora imperador do mais belo país da Europa, senhor do mundo, árbitro das nações, chefe e terror dos soberanos ali se finou, prisioneiro, humilhado, longe da pátria, cruelmente separado da esposa e do filho, e de quantos lhe eram caros pelo sangue e pelo afeto, afligido de todas as amarguras que podem torturar o coração humano, privado de socorros, quase abandonado..

O homem fatal , o ente predestinado, o enviado da Providencia, havia cumprido a sua missão. Depois de prolongada agonia, Napoleão o Grande cessou de sofrer a 5 de Maio de 1821.

Esta situação tão pungente e tão altamente dramática comoveu todos os espíritos e infundiu então, e por largos anos ainda, o estro dos mais notáveis engenhos poéticos do nosso século.

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