Livros › Paul Bourget › A Água Profunda

Capa de A Água Profunda

A Água Profunda

Paul Bourget (1852–1935)

Romance3 h de leitura164 páginas

O começo

Era forçoso que no meio dessa multidão agitada, que se movia e expunha numa atmosfera cada vez mais sufocante, tivesse observado alguma coisa ou alguém que despertasse nela emoções bem vivas e profundas, porque uma tão instantânea metamorfose, que para o observador estranho seria imperceptível, a um simples golpe de vista.

Um perfil observado e reconhecido, entre tantos outros, ao fundo de uma escada que se preparava para descer, era a causa da sua emoção; por isso os seus pequeninos pés se movem com grande rapidez para a transpor o mais breve possível, olhando sempre por sobre as cabeças dos transeuntes, para não deixar de ver aquela cuja presença a havia impressionado tão vivamente.

Não tinha o fato em si aparentemente nada de anormal; aquela pessoa era nada mais e nada menos do que uma das suas primas mais intimas, quase uma irmã, a jovem marquesa de Chalinhy.

Mas a baronesa de Node tinha motivos muito especiais (o decorrer da narração o demonstrará) para ligar uma extrema importância aos mais insignificantes atos e gestos dessa suposta amiga:

Paul Bourget (autor) morreu em 1935; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2006.