Depois que a Belém Chegaram
autoria não identificada
O começo
Depois q̇ a Belem chegàrão / Os Reys, q̇ ao Minino adorão, / As varias naçoẽs, que trazem, / Fazem diverſas galhofas.
Ali ſe acham Portugueſes, / Que deſde os confins de Europa / Vão ver os berços do dia / Là nas Regioens da Aurora.
Tanto que em Belem entràrão, / Suppondo, que era Lisboa, / Entre ſe he, ou não he, / Elles deſta ſorte o provão.
Aquela he a Porta do Sol, / Diz hum, do Portal à Porta, / Là ſe vè a Boa viſta / Nos olhos deſſa Senhora.
Vès acolà o Paraiſo, / Donde uns Anjos me namoraõ, / E antes a Porta da Cruz, / O Calvario daqui nota.
O Minino he o Bairro alto, / Bem que eſtà na Rua nova, / Olha acolà São Joſeph, / Annunciada, a Bem-poſta.
O caminho do Preſepio / He a calçada da Gloria, / Vès o Rocio também, / Que he daquela Aurora o aljofar.
Vés também o Boy fermoſo, / Que eſtà là dentro na choça, / As Pedras negras não vès / Em tantos Negros de Angola?
Não vès a Corte Real, / Donde eſtes Princepes moraõ, / Là eſtà o Forte levantado, / Inda que tão sò agora.
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