A Jovem Cativa
André Chénier (?–1794)
O começo
— “Respeita a foice a espiga que desponta; / Sem receio ao lagar o tenro pâmpano / Bebe no estio as lágrimas da aurora; / Jovem e bela também sou; turvada / A hora presente de infortúnio e tédio / Seja embora: morrer não quero ainda!
De olhos secos o estoico abrace a morte; / Eu choro e espero; ao vendaval que ruge / Curvo e levanto a tímida cabeça. / Se há dias maus, também os há felizes! / Que mel não deixa um travo de desgosto? / Que mar não incha a um temporal desfeito?
Tu, fecunda ilusão, vives comigo. / Pesa em vão sobre mim cárcere escuro, / Eu tenho, eu tenho as asas da esperança: / Escapa da prisão do algoz humano, / Nas campinas do céu, mais venturosa, / Mais viva canta e rompe a filomela.
Deve acaso morrer? Tranquila durmo, / Tranqüila velo; e a fera do remorso / Não me perturba na vigília ou sono; / Terno afago me ri nos olhos todos / Quando apareço, e as frontes abatidas / Quase reanima um desusado júbilo.
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