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Um Reino de Tal Valor

Tomás Pinto Brandão (?–1743)

Poesia10 min de leitura8 páginas

O começo

Um Reino de tal valor / e de povo tão honrado / é justo seja louvado / desde o vassalo ao Snr. / ainda que fraco orador / a verdade hei de dizer, / e cada qual recolher / pode aquilo que lhe toca / ainda que digna o provoca / uma imitação Real / Este é o bom governo de Portugal.

Um rei menino inocente / sem compaixão nem piedade / inimigo da verdade / com adulação contente / em uma sombra aparente / tanto se enleva este Rei / faltando do Reino a lei / seguindo somente os vícios / e com torpes exercícios / o chegou a extremo tal / Este é o bom governo de Portugal.

Para os povos bem reger / Deus o pôs neste lugar / não para o desgovernar, / nem para o Reino perder; / mas creio lhe fazem crer / que é já virtude o pecar / e o que deve, não pagar / ter ambição, e avareza / perseguindo a pobreza / com tributo desigual / Este é o bom governo de Portugal.

Pois um infante inumano / insolente matador / que sem ter de Deus temor / vive bruto, e corre insano / é o mais cruel tirano / que neste Reino se há visto / e que conhecendo isto / o tolinho do irmão / lhe não dê uma prisão / para evitar tanto mal / Este é o bom governo de Portugal.

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