No Retiro de Belém
autoria não identificada
O começo — Versão de 1676
No retiro de Belem, / Casa de campo real, / Hoje o Principe Divino, / Hum jardim de flores faz.
Hum laberinto de glorias, / Aqui se vè num portal, / Donde não sabe sair, / Aquelle que chega a entrar.
No Meyo estão do Jardim, / Duas fontes de cristal, / Cuja Mãy de água fechada, / He a pura Virgem Mãy.
De hum satiro que he o pecado, / Invençaõ de aljofar sai, / Que a hum Minino de alabastro, / Faz este monstro chorar.
Em hum enbrechado que o tempo, / Nas eras formando està, / Hum amor se vè ao vivo, / Inda que feito ao mortal.
Aly està hum grande lago, / Que ninguém pòde sondar, / Onde as Angelicas Aves, / Fazem Choro Celestial.
A verdade està despida, / Retratada ao natural, / E em hũa mesma figura, / Se vè a Justiça, & a paz.
A beleza de hũa Virgem, / Faz hum formoso rozal, / E os espinhos que lhe faltaõ, / O cravo lhos quis tomar.
As flores por infinitas, / Naõ se podem numerar, / Vertendo sangue està o Cravo, / O Jasmim cegando vai.
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